É o mais bonito, dizem...
Para mim, é igual aos outros, talvez pior, porque é mais
complicado, porque todos fazem de conta que são grandes especialistas em sexo e em mentiras. E mais complicado ainda, porque há provas finais.
Mas no fim, sobrevive-se á tudo, ao sexo, às mentiras e às provas... É a filosofia do "eu me viro".
Sim, ok, você se vira, mas o que fazer com as cicatrizes?
Sim, porque na hora você gosta do
fogo, mas corre o risco de se queimar. E eu não quero as cicatrizes.
Carolina repete sem parar:
- Você não voa porque tem medo de cair!
Não tenho coragem de voar, nasci
sem paraquedas.
- Assim você não vai voar nunca! - e me explica que na vida é melhor ter lembranças ruins do que arrependimentos.
Eu prefiro os arrependimentos, porque você pode trabalhá-los, pode imaginar o final que mais te agradar; no caso das más lembranças, você já sabe o final.
É melhor uma história não resolvida, porque você pode apertá-la entre as mãos e mudar sua forma, como massinha de modelar.
Sim, é melhor desse jeito, eu evito os riscos; nada de sexo, nada de mentiras.
O fogo
não é pra mim.
(Livro: E as estrelas, quantas são? - Giulia Carcasi)